RSS Feed

about

"As revoluções são a locomotiva da história". Karl Marx

O legado intangível dos megaeventos esportivos


Por: Hugo Valadares - 29/05/2014 no portal http://ujs.org.br/copa/noticia/60/o-legado-intangivel-dos-megaeventos-esportivos.html

Todo dia é comum ouvir ou ler que investir bilhões em Olimpíadas e Copa do Mundo é jogar dinheiro fora, pois esses recursos deveriam ir para educação e saúde. Que colocar bilhões em eventos enquanto áreas importantes patinam chega ser absurdo. Entretanto, para além do legado estrutural, tão discutido nos últimos tempos, há diversas questões e legados intangíveis e não mensuráveis que uma análise superficial e rasa, como tantas pessoas tem insistido em fazer, impede de observar.

Para aprofundarmos o debate sobre a vinda dos grandes eventos, analisemos algumas situações. Antes do atual período, o Brasil jamais seria cogitado para sediar acontecimentos desse porte, e isso tem impacto direto na forma como o país é visto no cenário internacional. Na ONU, antes o Brasil sequer era ouvido, não podia dar nenhuma cartada na governança global. Hoje luta por um assento permanente no conselho de segurança, que no fundo é o órgão que decide os rumos dos conflitos no mundo.

Esta mudança na imagem se refletiu em eleições de instituições internacionais muito importantes: em 2011, o brasileiro José Graziano foi eleito diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), sendo o primeiro latino-americano a alcançar tal cargo. Recentemente, o diplomata Roberto Azevedo foi escolhido para ser diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). A implicância direta disso é que em disputas relevantes, o Brasil pode atuar como importante mediador. Além de que, em discussões nas quais estejamos presentes, ter voz ativa e ser respeitado como liderança regional e mundial faz toda diferença.

Pode-se exemplificar este fato com o caso, tempos atrás, de um imenso embate entre a Bombardier e a Embraer sobre uma questão relativa aos incentivos financeiros do governo Canadense (país sede da empresa) que fez a brasileira perder uma concorrência. No final, a Embraer ganhou a disputa na OMC. Outro debate em curso é relativo aos subsídios aos produtos agrícolas nos Estados Unidos e na França. Isso faz com que os produtos desses países sejam mais baratos e tomem mercado no mundo. Se o Brasil ganhar esse embate, o impacto direto será a geração de mais empregos, mais gente no campo, mais safra e mais dinheiro na nossa economia.
Para além destes casos, uma boa imagem internacional pode atrair mais investidores que venham abrir empresas no Brasil, gerar empregos e divisas e, novamente, empregar mais gente e fazer o país crescer. Amigos brasileiros residentes do Velho Continente foram testemunhas de que em cursos de formação de empresários, a orientação é para que se invista aqui, pois o retorno é garantido e as instituições são confiáveis. Não é por acaso que recentemente, na Europa, o Brasil saiu em todos os jornais importantes por ter se tornado a 6ª. maior economia do mundo.
Se trazer a Copa e a Olimpíada fosse apenas uma questão de aplicar recursos, nenhum país iria querer sediar tais eventos. Seguindo essa linha, então deveríamos acabar com investimentos em esporte, porque não precisamos de medalhas olímpicas se tem gente passando necessidade. Por essa lógica, também não deveríamos investir em cultura, pois isso não deveria ser mais importante que um leito no hospital. Também não poderíamos construir praças, parques, ciclovias, porque a prioridade, segundo esta rasa discussão, tem que ser educação e saúde!

O Brasil tem que dar conta de todos os desafios e isso acontece de maneira simultânea. Antes vivíamos num país que os estrangeiros não sabiam muito bem o que havia além de futebol, mulher bonita e carnaval. Simplesmente não era levado a sério. Agora somos respeitados, a economia anda, temos a taxa de desemprego dos sonhos de países desenvolvidos e temos moral por trazer os maiores eventos do mundo. Não devemos acreditar na imprensa que só quer ver o circo pegar fogo porque o governo federal não é dirigido por seus aliados. Sempre fomos uma grande nação e de grandes pessoas. Mas agora, o mundo sabe disso.

Por Hugo Valadares - Doutor em Engenharia Elétrica pela UNICAMP, ex-presidente da ANPG e membro da Direção Nacional da UJS

Democracia representativa e participativa

http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/03/democracia-participativa.jpg
Democracia. Povo. Participação. Representação. 

Sabe aquelas conferências estaduais e nacionais, como as de Meio Ambiente, Saúde, Educação, Juventude, Segurança Pública...? Elas são instrumentos da participação e controle social, e  são ferramentas que aprofundam ainda mais a democracia brasileira. As conferências são verdadeiros palcos democráticos, onde o governo pode dialogar com a sociedade civil organizada, movimentos sociais, organizações. Um lugar onde a sociedade pode ser agente de um projeto político que vise suprir as necessidades locais, regionais ou nacionais.

A participação social, no Brasil é um dos direitos doutrinárias da Constituição brasileira e foi uma conquista de muitas lutas sociais. E graças a este direito, o Sistema Único de Saúde- SUS, por exemplo, tem em seus fundamentos, a participação e controle social, regido pelas leis orgânicas de saúde 8.080/90 e 8.142/90.

Ampliar a participação social nas tomadas de decisões permite o fortalecimento da soberania do povo, e, por sua vez, o da democracia. E mesmosabendo disso, afim de manter o poder sob seu controle, existem setores da sociedade brasileira, elite e os conservadores, que querem colocar a democracia restrita ao campo do poder do voto, restringindo, assim, a participação social.

E é, neste sentido, que os setores supracitados estão inquietos e bombardeando informações errôneas sobre o decreto nº 8243, do último dia 26 de Maio, da presidenta Dilma Rousseff. O decreto institui a Política Nacional de Participação Social – PNSPS e o Sistema Nacional de Participação Social – SNPS. Ou seja, ele amplia ainda mais a democracia brasileira, promovendo e consolidando a participação social e o controle social. Ele permite que o povo possa efetivar sua participação nas tomadas de decisão, abrindo fortalecendo o canal de diálogo entre a administração pública e a sociedade civil. E essa participação permite uma maior apoderação da soberania pelo povo, impressa na Carta Magna brasileira. Soberania não é, apenas, poder eleger o seu representante a cada 4 anos, mas poder participar da formulação, fiscalização, execução e da manutenção das políticas públicas.

E só neste sentido, a democracia brasileira vai poder amadurecer e aprofundar-se, permitindo o protagonismo do povo, em um cenário em que o sistema político, ainda, favorece a elite e não deixa a diversidade da sociedade ser representada nos espaços de poder.

-

Curiosidade: As conferências no Brasil, datam desde 1940, mas foram durante os governos Lula e Dilma que elas tiveram impulso. Só para ter noção, das 114 Conferências Nacionais que o Brasil realizou até 2010, 72 foram realizadas no governo do presidente Lula.

Aqui tem o decreto, em sua integralidade. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Decreto/D8243.htm

Não! O Brasil não é um cachorro vira-lata!

Imagem:  http://messupbrazil.files.wordpress.com/2013/06/bandeira-do-brasil.jpg?w=899

Fazer intercâmbio vem me proporcionando aprender e conhecer muitas coisas. Uma dessas coisas é constatar que todos os países têm suas virtudes e debilidades. Uma das coisas que percebi é que um dos países que são venerados pela elite brasileira – EUA – sofre dos mesmos problemas que o Brasil, e em alguns setores estamos muito mais à frente que eles.

Só para exemplificar um problema, quando fui para Nova Iorque, pude utilizar o seu sistema metroviário, e constatei que aquele sistema, por mais que seja enorme e bem estruturado em comparação com o do Recife – não farei comparação ao de São Paulo, pois nunca o usei -,sofre dos mesmos problemas de gestão que o do metrô do Recife,, por exemplo, atrasos, multidões (isso mesmo metro ‘lotadão’), principalmente em horários de pico. O metrô de Chicago, muito menor que o de Nova Iorque, sofre dos mesmos problemas. No segundo dia de minha estadia, por volta das 23 horas, o único vagão do metrô que estava vazio, era um que alguém tinha feitos as necessidades fisiológicas dentro dele. Poderia exemplificar vários outros problemas, como atraso de obras, poluição, corrupção, e muitos outros. Esses exemplos não são para justificar os problemas que temos, mas para que possamos compreender que problemas todos os povos passam e que não devemos sentir-se inferiores por causa disso, tampouco somos superiores.

A nossa classe média e alta e os meios de comunicação têm aquilo que Nelson Rodrigues chamou de ‘o complexo de Vira latas’ dos brasileiros e insistem em propagar que tudo que está aqui fora é bom é maravilhoso, e que o Brasil está uma merda – o que eles estão redondamente enganados.

A pobreza e desigualdade social vêm aumentando a cada dia aqui nos EUA, não obstante, o número de desempregados bate recordes, milhões de jovens americanos estão deixando seus sonhos de lados de ascender socialmente porque não podem pagar para ter acesso à educação superior, várias pessoas estão morrendo todo dia porque não podem pagar por um plano de saúde, ou estão vendo suas casas serem tomadas pelos bancos porque após serem atendidos no hospital precisaram pagar a conta e não tinham como.

Não podemos negar as debilidades enraizadas em nosso país, mas também não podemos abaixar as nossas cabeças, visto que nós estamos lutando a cada dia para fortalecer e desenvolver nosso país, transformando-o em um país para todos. Já fizemos muito para mitigar os efeitos de 500 anos de ‘colonização’, mas ainda falta muito mais por lutar e conquistar.

Tenho orgulho de dizer que sou do Brasil, o Brasil com S, um Brasil miscigenado, um Brasil que é a sétima economia do mundo, o carro chefe da América Latina em termos econômicos. O Brasil da maior biodiversidade do mundo, o Brasil da riqueza de nossos povos, o Brasil que tem o melhor futebol... Mas tenho muito mais orgulho de dizer que sou do Brasil que tem uma mulher na presidência e que teve um presidente operário, o Brasil que não é mais colônia de nenhum outro país. Um país soberano, independente e que tem se destacado e tem conquistado o respeito da comunidade internacional em diversos aspectos, principalmente na redução das desigualdades sociais. O Brasil que tirou mais de 27 milhões de brasileiros da extrema pobreza, aquele Brasil que reduziu a mortalidade infantil, que possui uma das menores taxas de desemprego do mundo, que colocou milhões de jovens dentro das universidades através da democratização do ensino superior, o Brasil do SUS, que atende a todos universalmente, mesmo que tenha problemas de logística e gestão à serem solucionados. O Brasil que sabe que tem muitos problemas, mas mesmo assim tem muita garra para enfretá-los e superá-los.

Terei sempre orgulho de hastear a bandeira verde-amarela em qualquer canto do mundo. Sou brasileiro e voltarei ao meu país com sorriso no rosto de saudade e com mais garra de poder lutar para construir um Brasil mais justo e democrático, porque se temos problemas, eles precisam ser resolvidos e não utilizados como desculpas para inferiorizar o país.


Os trabalhadores nos EUA



O sistema financeiro sempre tenta colocar o ônus de suas crises nas costas dos trabalhadores, assim aconteceu em diversos países, como no Brasil, e está acontecendo na França e nos EUA. Com a justificativa de que os direitos sociais, como os direitos trabalhistas, são os entraves para o crescimento econômico das nações, o sistema coloca seus tentáculos em todas as vias para suprimir os direitos já conquistado pelos trabalhadores à custa de muita luta e sangue.

Um dos direitos conquistados nos EUA, a redução da jornada de trabalho diária, foi uma consequência da greve de operários em 1886. Em maio daquele ano, operários em Chicago foram protagonistas de uma grande greve, que tinha como uma de suas reivindicações a redução da jornada de trabalho – estes operários trabalhavam em torno de 14 à 17 horas por dia na fábrica. No dia 1 de Maio, foi a última manifestação deles que não teve repressão policial. Depois dessa data, centenas foram presos e condenados à prisão perpetua, com oito lideranças do movimento sendo condenados à morte na forca.

O primeiro de Maio, une os trabalhadores pelo mundo contra as forças exploratórias da oligarquia financeira, dos monopólios e das forças políticas conservadoras em busca de melhores condições trabalhistas. Mas enquanto em diversos países o primeiro de maio é feriado nacional, e os trabalhadores unem-se e saem às ruas contra a exploração do trabalho ou até mesmo ficam em casa descansando com a família, os trabalhadores americanos terão que ir ao seu posto de trabalho para completar a sua jornada de trabalho, que em sua maioria são jornadas exploratórias.

A exploração dos trabalhadores na “democracia americana”, que muitas vezes é vista como modelo na relação empregado-empregador, é uma consequência direta do liberalismo do sistema econômico e político dos EUA. Esse sistema preza que o cidadão é livre para construir seu futuro através de sua força, mas para isso o Estado tem que se abster e não pode interferir no mercado e em outros setores, principalmente nas relações trabalhistas.  Essa abstenção do Estado, só não é verdadeira quando refere-se ao Estado a competência de flexibilizar e extinguir os poucos direitos que os trabalhadores americanos possuem.

A abstenção do Estado somado a mão poderosa da burguesia e dos burocratas permitiram que os EUA se tornasse um país onde os trabalhadores não possuem proteção contra as arbitrariedades que as empresas cometem. Os trabalhadores além de receberem baixos salários e trabalhando intensas jornadas de trabalhos, não têm direitos à indenizações por quaisquer circunstância nas demissões.  Além disso, os trabalhadores americanos não têm direito à descanso semanal, férias remuneradas, adicional noturno ou auxílio-doença. No caso dos empregadores que fornecem plano de saúde à seus empregados, o benefício compreende apenas o trabalhador, excluindo-se a família.

Os EUA é um dos cincos países do mundo que não dão licença-maternidade, tampouco provêm licença-paternidade ou direitos da mulher amamentar durante o seu período de lactação, o qual reduz significativamente a desnutrição infantil. De todos os trabalhadores que perdem seu emprego, apenas 1/3 dos trabalhadores conseguem ter acesso ao seguro desemprego, o qual paga 50% do salário que ele recebia. Para se ter acesso à esse benefício, o desempregado tem que provar muitas coisas, uma delas é a de que está procurando incansavelmente um novo emprego e tem por obrigatoriedade aceitar qualquer outra oferta de trabalho, mesmo que este seja com graves afrontas aos direitos humanos. E mesmo que a América autoproclame-se como defensores dos direitos humanos, os EUA permitem que empresas, como McDonalds, Wal-Mart, Gap e Amazon possam ferir os direitos humanos em busca de baratear seus produtos e vender mais.  E nessa busca pelo lucro as empresas dão preferência aos contratos de trabalho com menos de 28 horas semanais (meio período), para que elas sejam isentas de prover algum benefício ao trabalhador.

Democracia não é apenas o direito ao voto universal, mas também é a garantia de direitos sociais e humanos para tod@s. A carência de direitos sociais na “democracia” dos EUA além de demonstrar a superficialidade de uma suposta democracia regida pelo liberalismo político e econômico, demonstra também a real necessidade da união das forças dos trabalhadores para mudar o sistema em busca de construir uma sociedade mais igualitária e justa para todos.



Trocando figurinhas


Por Monique Lemos, no site da UJS.

Desde criança, sempre gostei de colecionar álbuns da Copa e papéis de carta (sim, eu sou da época em que se tinham pastas e mais pastas de lindos papéis de carta). Até colecionei alguns álbuns do Campeonato Brasileiro, poucos, não eram o meu forte. Mas de quatro em quatro anos, estava lá, eu, minhas figurinhas e meu álbum esperando ser completado. E só tinha um jeito de fazer isso: trocando figurinhas.
Na escola, na rua, entre os primos, no bafo-bafo… Que diversão!
Então, trocar figurinha é a única forma de completar nosso álbum. Por isso, eu queria te convidar para trocar umas figurinhas sobre a Copa.
Não. Não é com você que defende que não vai ter Copa, porque o Brasil está no abismo, e que está tudo uma porcaria, que eu quero dialogar. Nós não vivemos no mesmo mundo.
Eu quero trocar com você, que viu seu filho e filha entrar pela primeira vez na universidade, com você que viu o Bolsa Família distribuir renda e empoderar as mulheres, com você que viu o Brasil mudar pra melhor, e que por isso mesmo, consegue enxergar que ele pode mais, que nós podemos mais!
Pra você, que vê os hospitais públicos nas péssimas condições de funcionamento e a escola brasileira na “era do cuspe e giz”, uma primeira figurinha pra trocar: isso não tem nada haver com a Copa!
Não foi tirado nenhum centavo sequer dos orçamento das áreas sociais, pelo contrário eles cresceram. Aquém da necessidade, vocês dirão. E eu acrescentarei, muito. Mas não por causa da Copa. O problema é outro. A previsão para 2014 é que sejam destinados 1,002 trilhões reais para o pagamento de juros e amortização da dívida, comprometendo cerca de 42% do orçamento. Esse é o maior entrave para o desenvolvimento do Brasil.
Segunda figurinha: os bilhões gastos nos estádios. A Copa do Mundo consumirá de investimentos, 26 bilhões de reais, mas 70% desse recurso são obras de infra-estrutura (mobilidade urbana, aeroportos, obras do PAC) e mesmo que algumas não fiquem prontas no prazo, o Brasil continuará aqui depois da Copa. Ou seja, esse é um grande legado e comprova que os que dizem, que se teria priorizado a construção dos estádios, em detrimento de outras obras, fala besteira.
E uma última figurinha pra gente trocar, é a importância do futebol na formação do povo brasileiro. Aqueles que acham que a Copa é o “circo” para o povo não perceber seus problemas, para iludir as pessoas, não entenderam esse elemento fundamental. O futebol faz parte da história do nosso povo e continuará a arrastar multidões aos estádios como fazem o Santinha, o Mengão, o Corinthians, o Inter, o Grêmio, o Palmeiras… É da nossa cultura, tá no nosso sangue.
Defender a Copa não é negar os problemas do país, mas precisamos enxergar os lugares que eles realmente ocupam. Pra não enfrentarmos as consequências e não as causas.
Por exemplo, o problema da elitização do futebol, do padrão FiFA, é real, mas não é um problema da Copa. Prova disso, é que o aumento abusivo no preço dos ingressos está ocorrendo mesmo em lugares onde não haverão jogos na Copa do mundo.
Então não ter copa resolve o problema da elitização? Não! Para isso, será preciso uma intervenção do poder público e muita mobilização da sociedade.
Ir as ruas contra os reais problemas brasileiros, como os juros altos, a dívida externa, a reforma política e dos meios de comunicação, é mais do que legítimo, é necessário. Então, ocupemos as ruas, antes, durante e depois da Copa, enfrentando os inimigos reais.
Que venha a Copa, que venha o hexa e que venha meu álbum completo. Aliás, alguém aí, tem figurinha pra trocar?

Cinquenta anos e outra história


Por Nilson Vellásquez.

50 anos. Esse foi o tempo em que jovens de todo o Brasil foram às ruas em prol de algo que para nós tem sido essenciais na constituição de um país forte e soberano: a democracia. Há meio século o Brasil encontrava-se numa encruzilhada histórica: de um lado, a necessidade de dar vazão às necessidades da maioria da população brasileira, representadas na reformas de base, propostas por João Goulart; do outro, o enfrentamento ao “espectro do comunismo” feito por uma aliança civil-militar-empresarial, cujos setores da mídia contribuíram com grande responsabilidade para momentos aviltantes da história de nosso país.

Foram vinte anos em que as liberdades individuais e coletivas eram ameaçadas cotidianamente; em que jovens como nós, não poderiam se reunir, manifestar suas vontades e anseios de uma juventude que conviveu com décadas de grande efervescência cultural e de grandes manifestações políticas mundo afora – como o maio de 68 na França.

O Brasil, assim como demais países da América Latina, foi alvo da experiência do Imperialismo estadunidense, cuja representação maior era a “Doutrina Monroe”, “a América para os americanos”. Essa perspectiva era oriunda da tentativa de uma classe dominante acabar com as conquistas obtidas pela classe trabalhadora pós Revolução de 1917. Direitos trabalhistas, das mulheres, de negros e demais setores da população, eram uma afronta à burguesia internacional.

Mesmo assim, com todos esses reveses, a juventude brasileira não se calou diante da repressão e da retirada de direitos. A juventude se manifestou na “’Passeata dos 100 mil”, se manifestou nos festivais de música, no cinema, nas peças engajadas como “Roda Viva” de Chico Buarque. A juventude cantou e desenhou através do CPC da UNE. Morreu e fez viver em cada um o sonho por um país democrático. Foi nessa toada que jovens foram perseguidos na Guerrilha do Araguaia; foi nessa toada que Edson Luís, de 16 anos, morreu a tiros. E foi por isso que a juventude permaneceu em alerta até a grande vitória das Diretas Já, da Constituinte com voto – este que fora proibido – aos 16 anos.

Hoje, numa nova encruzilhada histórica, em que é preciso decidir se damos continuidade às mudanças vividas pelo país nos últimos 11 anos, ou se retrocedemos àqueles que sob verniz democrático venderam a nação na década de 90. É preciso retomar as respostas aos anseios da maioria da população. Daqueles que querem ver um país com direitos a todos e a todas, em que as mulheres não sejam estupradas pelo simples motivo da roupa que vestem, em que homossexuais não precisam viver sob vigília, qual vivia-se na Ditadura.

Por isso, a juventude de hoje, filha daqueles que derramaram sangue na Ditadura, vai às ruas pedir pra que sejam realizadas as reformas que estão atrasadas no país há, no mínimo, um século. Reforma urbana, política, dos meios de comunicação, tributária, educacional, reforma agrária.

Hoje a juventude vai às ruas para que se implemente o Plano Nacional de Educação que garanta o investimento de 10% do PIB para a educação. Reformas que garantam a cidade para todos, e que garanta um país que reflita a heterogeneidade de uma população e de uma juventude que quer mais. De uma juventude que nunca se negou a ir pras ruas, em qualquer momento: seja naqueles de tempestade profunda, ou nos períodos cuja luta é por mais – MAIS democracia; MAIS desenvolvimento; MAIS direitos; MAIS Brasil, para MAIS brasileiros!

Original: http://versosdopovo.blogspot.com.br/

Juventude e Política: novas respostas são necessárias

Imagem: http://xsjunior.blogspot.com/2013/06/manifestacoes-no-brasil-2013.html

Texto: Wallace de Melo Goncalves Barbosa
Publicacao : Vanguarda Classista

Ou me identifico com o destino do meu povo, com ele sofrendo a mesma luta, até sairmos todos vencedores, luta em que muitos sofrimentos e dor haveremos juntos de sofrer; ou me dissocio do destino do meu povo, juntando-me (como aliado, preposto, lacaio, servidor, títere, fantoche ou joguete) aos que exploram esse povo.
Antônio Houaiss

A juventude brasileira tem a marca da bravura que a história nunca poderá apagar. Das resistências estudantis à ocupação francesa no Rio de Janeiro, em 1710 às manifestações populares ocorridas em várias capitais em junho de 2013, os jovens sempre se apresentaram enquanto detentores de uma genética política caracterizada pela ousadia e pelo entusiasmo no enfrentamento corajoso às mazelas e contradições sociais construídas pela sociedade. Foram inúmeros os episódios em que, dotados de um espírito coletivo, a juventude foi protagonista e acumulou um papel singular para a conquista de direitos e de transformações sociais. A luta pelo fim da escravidão no final do império, a resistência às ditaduras políticas, as campanhas “O Petróleo é Nosso”, “Diretas Já”, e a resistência frente ao neoliberalismo implantado na década de 1990, tem a cara da juventude e dos movimentos juvenis brasileiros.

Durante a década de 1960, a sociedade caracterizava a juventude por meio da expressão “futuros marginalizados”, os desafios de ser jovem em um país tão desigual era notório e as políticas destinadas a essa população, por terem raízes diretas com os anseios das elites conservadoras, propositalmente os definiam como sujeitos-problemas. No entanto, mesmo diante de tantas dificuldades, nada reduziu o vigor das lutas juvenis em prol às conquistas essenciais para o povo brasileiro.

A ousadia é o predicado da juventude. Pois são os jovens que tem o poder de quebrar as rotinas institucionais por meio das suas manifestações e das variadas formas de ocupar as ruas, as praças, as universidades e os prédios oficiais. Sua força emerge da indignação às contradições sociais e suas mensagens se propagam, principalmente nos muros, nas bandeiras e nos cartazes levantados. E por esse perfil revolucionário, não erramos ao afirmar sobre o papel de relevância que os movimentos juvenis tiveram para a derrocada das políticas conservadoras implantadas pelas forças hegemônicas, principalmente no final do século passado.

As conquistas da juventude brasileira foram construídas através das lutas, nada foi dado gratuitamente, o Estado, se viu obrigado a atender os anseios dessa crescente parcela demográfica, através de uma agenda de institucionalização de políticas públicas de juventude no início deste século, tendo maiores conquistas, principalmente após a vitória eleitoral das forças de esquerda em 2002, que levou o ex-metalúrgico, Luiz Inácio Lula da Silva à presidência do Brasil. Da PEC (Emenda Constitucional Nº 65) ao Estatuto da Juventude, foram diversas batalhas e a cada conquista garantida, aumentava a responsabilidade dos vários segmentos sociais, organizações e coletivos juvenis a se mobilizarem em seus municípios, estados e regiões para a efetivação de uma agenda constante para pressionar o poder público, para que de fato, a esfera política consiga trazer novas respostas às demandas que são urgentes para as juventudes.

Em todos esses momentos, os movimentos e organizações juvenis, bem como as entidades estudantis (UNE e UBES) se apresentaram como segmentos importantes para politizar a população e mostrando que a famosa anedota – Si hay gobierno, soy contra” - devotada as manifestações juvenis espanholas em décadas passadas não se estabelece aqui. A juventude brasileira aprende e pratica sua cidadania na luta diária em relação às contradições estabelecidas historicamente pelas elites dirigentes do país. Infelizmente, os jovens estudantes, ainda encaram diariamente um sistema de ensino arcaico e com forte capacidade de desiludir qualquer pessoa em relação ao seu futuro. A juventude trabalhadora, ainda enfrenta um mundo do trabalho que os relega ao desemprego, subemprego, precarização e rotatividade. Já os jovens negros, mulheres e homossexuais, cotidianamente enfrentam uma institucionalidade violenta e desligada com os princípios que garantem a isonomia e o direito à diversidade. A periferia ainda é alvo de estruturas complexas de desigualdades e inseridas em um modelo de cidade precário e estruturalmente com débeis possibilidades de mobilidade.

As jornadas de junho, ocorridas em 2013 foi um exemplo de que a indignação ainda predomina no cotidiano dos jovens brasileiros. Essa juventude necessita de novas respostas políticas para os seus problemas. Muitos que foram as ruas, com absoluta certeza se quer sabiam o que eram as políticas públicas de juventudes, porém todos se mostravam interessados pela possibilidade de transformações políticas. Do turbilhão de demandas específicas, riscadas nas cartolinas e levantadas pelos jovens, a maioria tinham ligações diretas com a carência de uma efetivação de direitos tidos como universais (educação, saúde, emprego, transporte públicos etc). A pauta da juventude é a sociedade brasileira e não apenas o preço cobrado nas passagens. Esse fato é nítido.

Por outro lado, as jornadas de junho tornaram-se alvos de diversas interpretações e significados, principalmente no que tange a sua natureza e objetivos políticos. A ação da imprensa e de partidos conservadores conseguiram colocar a juventude em disputa. Porém, as organizações juvenis mais uma vez foram heroicas em não permitir uma possível hegemonia “direitista” na direção das manifestações. É válido ressaltar essa preocupação, devido ao fato de que, em outros momentos, essas tendências já investiram dentro dos movimentos juvenis, em destaque o movimento estudantil, visando, principalmente o enfraquecimento e a desestabilização política da juventude.

E diante de inúmeras trajetórias de lutas e conquistas, torna-se evidente para os jovens, que as juventudes devem ganhar cada vez mais as ruas, para que suas bandeiras se transformem em políticas públicas. E o atual momento é propício, mas necessita que a unidade e a coletividade prevaleça para que haja um maior acumulo de forças, visando um avanço orientado pelas melhores alternativas políticas , para que as respostas devotadas à juventude signifiquem maiores conquistas e efetivação de direitos. O tempo é da política e a juventude tem pressa para transformar o Brasil no país de suas utopia