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"As revoluções são a locomotiva da história". Karl Marx

Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil

Iniciando a sessão documentários, trago o documentário " Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil " do diretor Silvo Tendler.

O documentário faz um resgate pela memoria do movimento estudantil brasileiro. Mostrando que os estudantes jogaram papéis decisivos em diversos momentos da história do Brasil desde a fundação da UNE, atraves de imagens e depoimentos de dirigentes e militantes estudantis.


Para assistir aos videos Parte 1 Parte 2



Oportunidade para todos


Diante do bombardeio da imprensa brasileira (reportagens do  Estadao e da  Folha  ) sobre o Programa Ciência Sem Fronteiras vamos, então, colocar os pingos nos ii . O ciência sem fronteiras é um programa do governo federal, no qual alunos da graduação foram e estão sendo enviados para o exterior para estudar por alguns semestres matérias relacionadas à sua profissão pra saber mais, clique aqui.

No final de 2012, segundo ano do programa, foi lançado o edital 127, o qual se referia à chamada para Portugal. 32.000 estudantes se candidataram, só que no primeiro semestre de 2013, a chamada para Portugal foi cancelada. O motivo alegado, era que o custo para financiar os estudantes em Portugal eram os mesmos para o financiamento dos estudantes em outro país com idioma diferente. A partir desse momento o edital 127 tornaria um edital de exceção, onde as regras poderiam mudar à qualquer momento. Os candidatos, inclusive eu, receberam e-mail da Capes, perguntando se o estudante ainda queria continuar no programa. Caso continuasse poderia optar por quase uma dezena de país, dentro deles (Reino Unido, Irlanda, EUA, Canada, Austrália..) e o estudante poderia fazer 6 meses de curso de imersão no idioma do país destino. Para os EUA foram enviados mais de 5000 estudantes que no último semestre de 2013 estavam estudando inglês para que no ano corrente pudesse cursar matérias acadêmicas. Todos alunos que chegaram nas universidades americanas fizeram um teste de nivelamento para saber em que nível de inglês iria ficar nos cursos de inglês das universidade. Para quem não tinha conhecimento no inglês, a fluência não se consegue em 6 meses, mas durante esse tempo se aprende muita coisa do idioma, a maioria no final do curso de idioma foi submetido à um teste de nivelamento, aplicado pela universidade, no qual media o conhecimento no idioma. Este teste foi uma das formas para que o aluno conseguisse comprovar a proficiência no idioma e cursar as matérias acadêmicas. O que vou descrever abaixo, aconteceu com os estudantes que estão nos EUA e em outros países pelo edital 127.

Hoje, os alunos que estão nos EUA estão dividido em 3 grupos de acordo com as matérias que estão cursando por aqui: Full Academic (matérias acadêmicas), Bridge (matérias acadêmicas e inglês) e Academic English (inglês).  Semanas atrás, a CAPES, enviou um e-mail, para todos os Bridge e Academic English, informando que os alunos poderiam cursar mais 6 meses de idioma concomitante com as matérias acadêmicas – caso precisasse- e perguntando se os alunos, mesmo assim desejavam ficar nos EUA ou voltar imediatamente para o Brasil. Então alguns escolheram voltar pro Brasil e estão voltando em Março e a maioria escolheu ficar e continuar com os estudos.


Agora vamos esclarecer algumas coisas que as reportagens apontam como sustentáculos da crise do Ciências Sem Fronteiras.

A CAPES selecionou os alunos sem critério? Não, o edital era claro em seus critérios, ser homologado pela universidade brasileira, ter um bom histórico acadêmico, ter iniciação cientifica, prêmio científicos...e ter conseguido nota superior a 600 no ENEM. Os alunos que conseguiram a aprovação na fase da CAPES foram indicados ao parceiro no exterior (órgão responsável pelos alunos no exterior) e foram selecionados pelas universidades americanas.

Os alunos que não conseguiram passar nas matérias ou tiveram rendimento baixo estão voltando em Março? Não, os alunos estão voltando porque decidiram voltar. A propósito, os alunos brasileiros são destaques e são considerados os melhores dentre os internacionais, muitos já receberam vários prêmios.

Noticias sobre os premios: Premio  ; Premio ; Premio ; Premio ; Premio

Os alunos poderão ficar mais de 18 meses estudando fora? Não, para os EUA, o limite e de 18 meses, mesmo que o aluno esteja nos últimos 6 meses cursando matérias acadêmicas e inglês.


Além de desinformar essas reportagens reavivou “rixa” entre o edital 127 e o edital 117 (os estudantes que foram do primeiro edital dos EUA, o qual exigia proficiência no idioma). Em suma, muitos estudantes do edital 117 não aceitam que o governo esteja financiando cursos de idioma para o edital 127 e estão agindo com preconceito para com os estudantes do edital 127, porque muitos ainda não tem o inglês fluente ao contrário deles, já chegaram nos EUA com a proficiência. Diga-se de passagem, muitos do edital 117, tiveram condição de pagar um curso de inglês no Brasil. O que no Brasil curso de idiomas nem todos tinham oportunidades de fazer de graça, foram raras as exceções, os melhores são, absurdamente, caros. Hoje em dia, a conjuntura está se tornando diferente, muitos alunos que não podem pagar por cursos de inglês, estão tendo oportunidades de estudar inglês no My English Online e no Inglês-sem-fronteiras, ambos programas do MEC.


A democratização do acesso à educação é uma das formas de resgatar a parcela da população que historicamente foi excluída e fornecer a oportunidade à brasileiros, que nunca tiveram a chance de estudar um idioma, de estudar no exterior e trazer na volta para o Brasil um acumulo tanto no conhecimento profissional como no cultural. Muitos falam que o governo deveria fornecer o curso de inglês no Brasil, mas daqui que os alunos conseguissem chegar à um nível de proficiência para se candidatar ao programa eles já teriam perdido a oportunidade. Depois do edital 127, todos os editais estão permitindo um curso de imersão, mas não na duração que estamos tendo agora. O motivo é claro, além de investir no financiamento do estudo no exterior, o governo tem investido em cursos de inglês gratuito para que todos que almejem se candidatar ao programa não tenha nenhuma barreira de conseguir uma bolsa.

É bastante claro o teor político das reportagens buscando um desgaste do governo Federal. O CsF é de longe um dos programas mais bem sucedidos do governo no campo educacional. Por ser um programa ainda em seus primeiros anos, muita coisa precisa melhor, mas nem por isso ele deixa de ser um sucesso e um programa valioso dentro das politicas sociais e educacionais.. Não é de hoje que a grupos da sociedade brasileira querem fazer da Educação uma ferramenta mantenedora do poder nas mãos das elites dominantes e para isso mostram suas garrinhas. E mais uma vez eu penso, que apesar de um longo caminho que temos pela frente para dizimar as desigualdades sociais no país, estamos no caminho certo. A elite brasileira está incomodada por que os filhos de seus empregados, filhos do pedreiro e entre outros estão tendo a oportunidade de entrar na Universidade. Porque 'aquelas pessoas do subúrbio, da periferia' estão na mesma universidade que o filho do conjunto residencial nobre estuda. Estão incomodados porque os filhos da periferia estão entrando em shoppings, fazendo “rolezinho” e comprando roupas, sapatos, comendo e se divertindo em lugares que antes “pertencia” aos seus filhos. Mas não apenas isso, estão aborrecidos por que os filhos dos trabalhadores do Brasil estão tendo a oportunidade de estudar fora, uma coisa que antes, só era permitida pra quem tinha dinheiro. Essa oportunidade se deu/dá, através do programa Ciência Sem Fronteiras.






Primeiras impressões sobre os EUA



Imagem: http://www.marginalboundaries.com/wp-content/uploads/The-American-Dream.jpg
Considero os EUA como dois países distintos: um país que é vendido pelo mesmo, mas este é apenas para os ricos (1% da população). E o outro EUA, que é o verdadeiro EUA, um país rico, mas totalmente desigual, em que oportunidades não são para todos. Um país com o povo sem voz e sem representação política. Com um sistema político que beneficia a elite americana, a pobreza e a desigualdade social no país é profunda e a cada dia só aumenta. Mais de 41 milhões dos americanos vivem abaixo da linha da pobreza, e a classe média quase não se distingue daqueles que o censo chama de “pobres”.

O sistema de saúde, - que aqui não é universal - e a educação, onde o sistema de ensino superior é pago e desregulamentado, são regidos pelo capital em sua forma mais predatória. A riqueza, por aqui, é o fator X para se ter saúde, educação e outros direitos sociais; para os americanos ela garante rendimentos para pagar uma melhor educação e conseguir melhores oportunidades que possa servir para as suas famílias conseguirem a tão sonhada mobilidade social e ter uma vida digna. Outra coisa que pude observar é que o apartheid social é intenso por aqui. A divisão entre negros e brancos é facilmente percebida. As cotas por aqui são ilegais, pela suprema corte federal americana. A universidade americana não é pintada de povo e está longe de ter seu acesso democrático. O capital deu seus frutos por aqui e gerou uma sociedade 
racista, machista e sem democracia. O sonho americano desse lado de cá, não passa apenas de uma ilusão.


Meu texto original publicado em:  UJS Pernambuco

A educação brasileira e o papel do movimento estudantil


Nos mais diversos momentos que o Brasil passou pela busca da libertação e emancipação de seu povo, assim como pela afirmação da juventude, a educação sempre esteve entre as reivindicações prioritárias. Afinal, como ferramenta de transformação da sociedade, ela ataca a fonte da pobreza e a miséria, ajudando a combater as desigualdades sociais.

No ensino superior podemos perceber que a universidade brasileira, desde a sua criação não foi pensada para emancipar o povo e ser uma força de libertação, transformando o retrato social, mas foi pensada como um meio de manter o poder nas mãos das elites dominantes. Esse caráter da universidade foi e é criticada e combatida até hoje por diversos setores e movimentos dentro da sociedade, com o protagonismo para o movimento estudantil. Foi assim em 1918, na Argentina, com o Manifesto de Córdoba, e em 1932 com a primeira geração da UNE (União Nacional dos Estudantes) - naquela época, influenciada pelo Manifesto dos pioneiros da Educação, em 1932, durante o Governo Vargas, o qual criticava a concentração do acesso e qualidade da educação junto às classes dominantes, excluindo grande parcela da população.

A luta por uma melhor educação no país passou por vários momentos, a partir da década de 1960 a luta mesclava-se e legitimava-se com outras lutas da transformação social, como a reforma agrária e a reforma urbana. A partir de 1962, a UNE e a Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) passaram a jogar papel decisivo na luta por uma educação de qualidade. Na ditadura militar, a partir 1964, vidas, que lutavam pela educação e por um pais mais democrático, foram ceifadas e os debates no campo educacional foram asfixiados. Durante este tempo a sede das entidades supracitadas foi invadida e incendiada.

O período militar além de todo o sangue que derramou trouxe o enfraquecimento da natureza crítica e libertadora da educação. Os tempos só viriam a mudar com a reconstrução da UNE e da Ubes, em 1980 e alguns anos depois com a conquista das diretas já.  Mesmo com as eleições diretas, os estudantes e a juventude em geral não se aquietaram, e com a postura neoliberal do novo governo, foram às ruas para pedir o impeachment do presidente Collor, em 1992. A postura neoliberal era marcada pela pouca preocupação com os direitos do Estado do bem-estar social, como a educação. Mesmo com a queda de um presidente, o neoliberalismo ainda conseguiu devastar a área da educação no Brasil, no período de 1995 à 2002. O sistema neoliberal liberou o caminho para o livre mercado, o lucro era o regulador da expansão da mercantilização da educação. Durante esse período o setor privado conseguiu avançar sobre à área educacional do país e sua consequência é sentida até hoje pelos estudantes que sofrem com a desregulamentação do setor e a educação mercantilizada.

Com as eleições de Lula, os movimentos sociais puderam ser ouvidos e tiveram uma maior abertura para o diálogo. Assim, os estudantes organizados na entidades, como a UNE, Ubes e ANPG (Associação Nacional dos Pós-Graduandos) juntamente com outros setores da sociedade se pintaram com a cor do Brasil e da educação e organizaram jornadas de lutas e caravanas pelo Brasil. Esses movimentos resultaram em um aprofundo conhecimento sobre a situação do ensino superior no país e puderam produzir pautas concretas que foram apresentadas para o governo Federal. Dentre elas, estava a expansão e ampliação do acesso da juventude à universidade.

Considerando as lutas do movimento estudantil e educacional podemos observar conquistas após décadas de estagnação no desenvolvimento da educação. Como conquistas podemos destacar, as recentes, como os 10% do PIB pra educação e dos royalties do petróleo para educação, além do salto de 32 bilhões (valor estagnado durante o governo FHC) para 90 bilhões no orçamento do Ministério da Educação, durante 2002-2011. De 1808 à 2002, o Brasil tinha 148 campus de universidades federais, distribuídos em 114 municípios. De 2002-2013, com o governo Lula e Dilma, esse número é de 321 e 275, respectivamente para número de campus e municípios atendidos. Esse salto é uma consequência direta do ReUni, que investiu 8,4 bilhões em infraestrutura nas universidades federais. Além disso, o orçamento do Ministério da Educação pulou para 90 bilhões, e o ProUNI alcançou 1 milhão de bolsistas, permitindo que mais jovens ingressassem na universidade. Esses números aliados ao SiSu e a políticas afirmativas, como a lei das cotas, têm permitido a democratização do acesso ao ensino superior.

Mesmo com todas as transformações significativas no setor educacional, ainda há muita luta pela frente, por uma melhor educação e por um Brasil mais justo e democrático. E é nessa conjuntura que mais uma vez o movimento estudantil se insere como força motriz na luta por uma educação de qualidade. Temos muitos desafios pela frente, tais como a regulamentação do ensino privado e a garantia da assistência estudantil, que deve ser um direito social, atrelado ao tripé – ensino, pesquisa e extensão. Além destes, a luta tem como objetivo a garantia da qualidade da educação a partir de um modelo que possa transformar, erguendo escolas e universidades pintadas de povo e que este possa ter o controle de sua própria história. Os desafios estão postos, mas o que irá nos orientar para o futuro é a ousadia e a vontade de mudança.


Para acompanhar um pouco mais sobre o movimento estudantil e a sua luta por uma educação de qualidade:  UNE ;  Ubes ; ANPG

Construindo a Bios

Rógean Vinícius, pernambucano (com o coração dividido entre as cidades irmãs, Recife-Olinda), 21 anos. Aspirante à Biólogo, estudante da Universidade de Pernambuco, mas estudando nos Estados Unidos pelo programa Ciência Sem Fronteiras e militante da Gloriosa União da Juventude Socialista.

Os textos serão escritos com o objetivo de construir a Bios. Na tentativa de construir raciocínios e pensamentos além daqueles que nos são imposto. Bios é a vida construída além do mundo natural - ou seja a vida que contruimos desafiando todas as leis naturais. O homem é um ser autonomo e livre para construir suas doutrinas e conceitos, quebrando paradigmas. A Bios se arquiteta na Polis, um lugar que não é natural, porque é um espaço político, de disputa de ideias, que é regido por sujeitos autônomos e livres, animais políticos.