Iniciando a sessão documentários, trago o documentário " Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil " do diretor Silvo Tendler.
O documentário faz um resgate pela memoria do movimento estudantil brasileiro. Mostrando que os estudantes jogaram papéis decisivos em diversos momentos da história do Brasil desde a fundação da UNE, atraves de imagens e depoimentos de dirigentes e militantes estudantis.
Para assistir aos videos Parte 1 Parte 2
Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil
Postado por
Vinícius Soares
on sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
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Oportunidade para todos
Diante
do bombardeio da imprensa brasileira (reportagens do Estadao e da Folha ) sobre o Programa Ciência Sem Fronteiras vamos,
então, colocar os pingos nos ii . O ciência sem
fronteiras é um programa do governo federal, no qual alunos da graduação foram
e estão sendo enviados para o exterior para estudar por alguns semestres
matérias relacionadas à sua profissão pra saber mais, clique aqui.
No final
de 2012, segundo ano do programa, foi lançado o edital 127, o qual se referia à
chamada para Portugal. 32.000 estudantes se candidataram, só que no primeiro
semestre de 2013, a chamada para Portugal foi cancelada. O motivo alegado, era
que o custo para financiar os estudantes em Portugal eram os mesmos para o
financiamento dos estudantes em outro país com idioma diferente. A partir desse
momento o edital 127 tornaria um edital de exceção, onde as regras poderiam
mudar à qualquer momento. Os candidatos, inclusive eu, receberam e-mail da
Capes, perguntando se o estudante ainda queria continuar no programa. Caso
continuasse poderia optar por quase uma dezena de país, dentro deles (Reino
Unido, Irlanda, EUA, Canada, Austrália..) e o estudante poderia fazer 6 meses
de curso de imersão no idioma do país destino. Para os EUA foram enviados mais
de 5000 estudantes que no último semestre de 2013 estavam estudando inglês para
que no ano corrente pudesse cursar matérias acadêmicas. Todos alunos que
chegaram nas universidades americanas fizeram um teste de nivelamento para
saber em que nível de inglês iria ficar nos cursos de inglês das universidade. Para
quem não tinha conhecimento no inglês, a fluência não se consegue em 6 meses,
mas durante esse tempo se aprende muita coisa do idioma, a maioria no final do
curso de idioma foi submetido à um teste de nivelamento, aplicado pela
universidade, no qual media o conhecimento no idioma. Este teste foi uma das
formas para que o aluno conseguisse comprovar a proficiência no idioma e cursar
as matérias acadêmicas. O que vou descrever abaixo, aconteceu com os estudantes
que estão nos EUA e em outros países pelo edital 127.
Hoje, os
alunos que estão nos EUA estão dividido em 3 grupos de acordo com as matérias
que estão cursando por aqui: Full Academic (matérias acadêmicas), Bridge
(matérias acadêmicas e inglês) e Academic English (inglês). Semanas atrás, a CAPES, enviou um e-mail,
para todos os Bridge e Academic English, informando que os alunos poderiam
cursar mais 6 meses de idioma concomitante com as matérias acadêmicas – caso
precisasse- e perguntando se os alunos, mesmo assim desejavam ficar nos EUA ou
voltar imediatamente para o Brasil. Então alguns escolheram voltar pro Brasil e
estão voltando em Março e a maioria escolheu ficar e continuar com os estudos.
Agora
vamos esclarecer algumas coisas que as reportagens apontam como sustentáculos da
crise do Ciências Sem Fronteiras.
A CAPES selecionou os alunos sem critério? Não, o edital era claro em seus
critérios, ser homologado pela universidade brasileira, ter um bom histórico
acadêmico, ter iniciação cientifica, prêmio científicos...e ter conseguido nota
superior a 600 no ENEM. Os alunos que conseguiram a aprovação na fase da CAPES
foram indicados ao parceiro no exterior (órgão responsável pelos alunos no
exterior) e foram selecionados pelas universidades americanas.
Os alunos que não conseguiram passar nas
matérias ou tiveram rendimento baixo estão voltando em Março? Não, os alunos estão voltando
porque decidiram voltar. A propósito, os alunos brasileiros são destaques e são
considerados os melhores dentre os internacionais, muitos já receberam vários
prêmios.
Os alunos poderão ficar mais de 18 meses
estudando fora? Não,
para os EUA, o limite e de 18 meses, mesmo que o aluno esteja nos últimos 6
meses cursando matérias acadêmicas e inglês.
Além de
desinformar essas reportagens reavivou “rixa” entre o edital 127 e o edital 117
(os estudantes que foram do primeiro edital dos EUA, o qual exigia proficiência
no idioma). Em suma, muitos estudantes do edital 117 não aceitam que o governo
esteja financiando cursos de idioma para o edital 127 e estão agindo com
preconceito para com os estudantes do edital 127, porque muitos ainda não tem o
inglês fluente ao contrário deles, já chegaram nos EUA com a proficiência.
Diga-se de passagem, muitos do edital 117, tiveram condição de pagar um curso
de inglês no Brasil. O que no Brasil curso de idiomas nem todos tinham
oportunidades de fazer de graça, foram raras as exceções, os melhores são,
absurdamente, caros. Hoje em dia, a conjuntura está se tornando diferente, muitos
alunos que não podem pagar por cursos de inglês, estão tendo oportunidades de
estudar inglês no My English Online e no Inglês-sem-fronteiras, ambos programas
do MEC.
A democratização
do acesso à educação é uma das formas de resgatar a parcela da população que
historicamente foi excluída e fornecer a oportunidade à brasileiros, que nunca tiveram
a chance de estudar um idioma, de estudar no exterior e trazer na volta para o
Brasil um acumulo tanto no conhecimento profissional como no cultural. Muitos
falam que o governo deveria fornecer o curso de inglês no Brasil, mas daqui que
os alunos conseguissem chegar à um nível de proficiência para se candidatar ao
programa eles já teriam perdido a oportunidade. Depois do edital 127, todos os
editais estão permitindo um curso de imersão, mas não na duração que estamos tendo
agora. O motivo é claro, além de investir no financiamento do estudo no exterior,
o governo tem investido em cursos de inglês gratuito para que todos que almejem
se candidatar ao programa não tenha nenhuma barreira de conseguir uma bolsa.
É bastante
claro o teor político das reportagens buscando um desgaste do governo Federal.
O CsF é de longe um dos programas mais bem sucedidos do governo no campo
educacional. Por ser um programa ainda em seus primeiros anos, muita coisa precisa melhor, mas nem por isso ele deixa de ser um sucesso e um programa valioso dentro das politicas sociais e educacionais.. Não é de hoje que a grupos da sociedade brasileira querem fazer da
Educação uma ferramenta mantenedora do poder nas mãos das elites dominantes e
para isso mostram suas garrinhas. E mais uma vez eu
penso, que apesar de um longo caminho que temos pela frente para dizimar as
desigualdades sociais no país, estamos no caminho certo. A elite brasileira
está incomodada por que os filhos de seus empregados, filhos do pedreiro e
entre outros estão tendo a oportunidade de entrar na Universidade. Porque
'aquelas pessoas do subúrbio, da periferia' estão na mesma universidade que o
filho do conjunto residencial nobre estuda. Estão incomodados porque os filhos
da periferia estão entrando em shoppings, fazendo “rolezinho” e comprando
roupas, sapatos, comendo e se divertindo em lugares que antes “pertencia” aos
seus filhos. Mas não apenas isso, estão aborrecidos por que os filhos dos
trabalhadores do Brasil estão tendo a oportunidade de estudar fora, uma coisa
que antes, só era permitida pra quem tinha dinheiro. Essa oportunidade se
deu/dá, através do programa Ciência Sem Fronteiras.
Primeiras impressões sobre os EUA
![]() |
| Imagem: http://www.marginalboundaries.com/wp-content/uploads/The-American-Dream.jpg |
Considero os EUA como dois países distintos: um país
que é vendido pelo mesmo, mas este é apenas para os ricos (1% da população). E
o outro EUA, que é o verdadeiro EUA, um país rico, mas totalmente desigual, em
que oportunidades não são para todos. Um país com o povo sem voz e sem
representação política. Com um sistema político que beneficia a elite
americana, a pobreza e a desigualdade social no país é profunda e a cada dia só
aumenta. Mais de 41 milhões dos americanos vivem abaixo da linha da pobreza, e
a classe média quase não se distingue daqueles que o censo chama de “pobres”.
O sistema de saúde, - que aqui não é universal - e a educação, onde o sistema de ensino superior é pago e desregulamentado, são regidos pelo capital em sua forma mais predatória. A riqueza, por aqui, é o fator X para se ter saúde, educação e outros direitos sociais; para os americanos ela garante rendimentos para pagar uma melhor educação e conseguir melhores oportunidades que possa servir para as suas famílias conseguirem a tão sonhada mobilidade social e ter uma vida digna. Outra coisa que pude observar é que o apartheid social é intenso por aqui. A divisão entre negros e brancos é facilmente percebida. As cotas por aqui são ilegais, pela suprema corte federal americana. A universidade americana não é pintada de povo e está longe de ter seu acesso democrático. O capital deu seus frutos por aqui e gerou uma sociedade racista, machista e sem democracia. O sonho americano desse lado de cá, não passa apenas de uma ilusão.
O sistema de saúde, - que aqui não é universal - e a educação, onde o sistema de ensino superior é pago e desregulamentado, são regidos pelo capital em sua forma mais predatória. A riqueza, por aqui, é o fator X para se ter saúde, educação e outros direitos sociais; para os americanos ela garante rendimentos para pagar uma melhor educação e conseguir melhores oportunidades que possa servir para as suas famílias conseguirem a tão sonhada mobilidade social e ter uma vida digna. Outra coisa que pude observar é que o apartheid social é intenso por aqui. A divisão entre negros e brancos é facilmente percebida. As cotas por aqui são ilegais, pela suprema corte federal americana. A universidade americana não é pintada de povo e está longe de ter seu acesso democrático. O capital deu seus frutos por aqui e gerou uma sociedade racista, machista e sem democracia. O sonho americano desse lado de cá, não passa apenas de uma ilusão.
Meu texto original publicado em: UJS Pernambuco
A educação brasileira e o papel do movimento estudantil
Nos mais diversos
momentos que o Brasil passou pela busca da libertação e emancipação de seu
povo, assim como pela afirmação da juventude, a educação sempre esteve entre as reivindicações prioritárias. Afinal, como ferramenta de transformação da sociedade,
ela ataca a fonte da pobreza e a miséria, ajudando a combater as desigualdades
sociais.
No ensino superior
podemos perceber que a universidade brasileira, desde a sua criação não foi
pensada para emancipar o povo e ser uma força de libertação, transformando o
retrato social, mas foi pensada como um meio de manter o poder nas mãos das elites dominantes. Esse caráter da universidade
foi e é criticada e combatida até hoje por diversos setores e movimentos dentro
da sociedade, com o protagonismo para o movimento estudantil. Foi assim em
1918, na Argentina, com o Manifesto de Córdoba, e em 1932 com a primeira
geração da UNE (União Nacional dos Estudantes) - naquela época, influenciada
pelo Manifesto dos pioneiros da Educação, em 1932, durante o Governo Vargas, o
qual criticava a concentração do acesso e qualidade da educação junto às
classes dominantes, excluindo grande parcela da população.
A luta por uma melhor
educação no país passou por vários momentos, a partir da década de 1960 a luta
mesclava-se e legitimava-se com outras lutas da transformação social, como a
reforma agrária e a reforma urbana. A partir de 1962, a UNE e a Ubes (União
Brasileira dos Estudantes Secundaristas) passaram a jogar papel decisivo na
luta por uma educação de qualidade. Na
ditadura militar, a partir 1964, vidas, que lutavam pela educação e por um pais mais democrático,
foram ceifadas e os debates no campo educacional foram asfixiados. Durante este
tempo a sede das entidades supracitadas foi invadida e incendiada.
O período militar
além de todo o sangue que derramou trouxe o enfraquecimento da natureza crítica
e libertadora da educação. Os tempos só viriam a mudar com a reconstrução da
UNE e da Ubes, em 1980 e alguns anos depois com a conquista das diretas já. Mesmo com as eleições diretas, os estudantes e
a juventude em geral não se aquietaram, e com a postura neoliberal do novo governo,
foram às ruas para pedir o impeachment
do presidente Collor, em 1992. A postura neoliberal era marcada pela pouca preocupação
com os direitos do Estado do bem-estar social, como a educação. Mesmo com a
queda de um presidente, o neoliberalismo ainda conseguiu devastar a área da educação
no Brasil, no período de 1995 à 2002. O sistema neoliberal liberou o caminho
para o livre mercado, o lucro era o regulador da expansão da mercantilização da
educação. Durante esse período o setor privado conseguiu avançar sobre à área educacional
do país e sua consequência é sentida até hoje pelos estudantes que sofrem com a
desregulamentação do setor e a educação mercantilizada.
Com as eleições de
Lula, os movimentos sociais puderam ser ouvidos e tiveram uma maior abertura
para o diálogo. Assim, os estudantes organizados na entidades, como a UNE, Ubes
e ANPG (Associação Nacional dos Pós-Graduandos) juntamente com outros setores da
sociedade se pintaram com a cor do Brasil e da educação e organizaram jornadas
de lutas e caravanas pelo Brasil. Esses movimentos resultaram em um aprofundo
conhecimento sobre a situação do ensino superior no país e puderam produzir pautas
concretas que foram apresentadas para o governo Federal. Dentre elas, estava a expansão
e ampliação do acesso da juventude à universidade.
Considerando as lutas
do movimento estudantil e educacional podemos observar conquistas após décadas
de estagnação no desenvolvimento da educação. Como conquistas podemos destacar,
as recentes, como os 10% do PIB pra educação e dos royalties do petróleo para educação,
além do salto de 32 bilhões (valor estagnado durante o governo FHC) para 90 bilhões
no orçamento do Ministério da Educação, durante 2002-2011. De 1808 à 2002, o
Brasil tinha 148 campus de universidades federais, distribuídos em 114 municípios.
De 2002-2013, com o governo Lula e Dilma, esse número é de 321 e 275,
respectivamente para número de campus e municípios atendidos. Esse salto é uma
consequência direta do ReUni, que investiu 8,4 bilhões em infraestrutura nas
universidades federais. Além disso, o orçamento do Ministério da Educação pulou
para 90 bilhões, e o ProUNI alcançou 1 milhão de bolsistas, permitindo que mais
jovens ingressassem na universidade. Esses números aliados ao SiSu e a políticas
afirmativas, como a lei das cotas, têm permitido a democratização do acesso ao
ensino superior.
Mesmo com todas as transformações
significativas no setor educacional, ainda há muita luta pela frente, por uma
melhor educação e por um Brasil mais justo e democrático. E é nessa conjuntura
que mais uma vez o movimento estudantil se insere como força motriz na luta por
uma educação de qualidade. Temos muitos desafios pela frente, tais como a regulamentação
do ensino privado e a garantia da assistência estudantil, que deve ser um direito
social, atrelado ao tripé – ensino, pesquisa e extensão. Além destes, a luta tem
como objetivo a garantia da qualidade da educação a partir de um modelo que
possa transformar, erguendo escolas e universidades pintadas de povo e que este
possa ter o controle de sua própria história. Os desafios estão postos, mas o
que irá nos orientar para o futuro é a ousadia e a vontade de mudança.
Para acompanhar um pouco mais sobre o movimento estudantil e a sua luta
por uma educação de qualidade: UNE ; Ubes ; ANPG
Construindo a Bios
Rógean Vinícius, pernambucano (com o coração
dividido entre as cidades irmãs, Recife-Olinda), 21 anos. Aspirante à Biólogo,
estudante da Universidade de Pernambuco, mas estudando nos Estados Unidos pelo
programa Ciência Sem Fronteiras e militante da Gloriosa União da Juventude
Socialista.
Os textos serão escritos com o
objetivo de construir a Bios. Na tentativa de construir raciocínios e pensamentos além daqueles que nos são imposto. Bios é a vida construída além do mundo natural - ou seja a vida que contruimos desafiando todas as leis naturais. O homem é um ser autonomo e livre para construir suas doutrinas e conceitos, quebrando paradigmas. A Bios se arquiteta na Polis, um lugar que não é natural, porque é um espaço político, de disputa de ideias, que é regido por sujeitos autônomos e livres, animais políticos.
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