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| Imagem: http://messupbrazil.files.wordpress.com/2013/06/bandeira-do-brasil.jpg?w=899 |
Fazer intercâmbio vem me proporcionando aprender
e conhecer muitas coisas. Uma dessas coisas é constatar que todos os países têm
suas virtudes e debilidades. Uma das coisas que percebi é que um dos países que
são venerados pela elite brasileira – EUA – sofre dos mesmos problemas que o
Brasil, e em alguns setores estamos muito mais à frente que eles.
Só para exemplificar um problema, quando fui
para Nova Iorque, pude utilizar o seu sistema metroviário, e constatei que
aquele sistema, por mais que seja enorme e bem estruturado em comparação com o
do Recife – não farei comparação ao de São Paulo, pois nunca o usei -,sofre
dos mesmos problemas de gestão que o do metrô do Recife,, por exemplo, atrasos, multidões (isso
mesmo metro ‘lotadão’), principalmente em horários de pico. O metrô de Chicago,
muito menor que o de Nova Iorque, sofre dos mesmos problemas. No segundo dia de
minha estadia, por volta das 23 horas, o único vagão do metrô que estava vazio,
era um que alguém tinha feitos as necessidades fisiológicas dentro dele.
Poderia exemplificar vários outros problemas, como atraso de obras, poluição, corrupção, e muitos outros. Esses exemplos não são para
justificar os problemas que temos, mas para que possamos compreender que
problemas todos os povos passam e que não devemos sentir-se inferiores por
causa disso, tampouco somos superiores.
A nossa classe média e alta e os meios de comunicação
têm aquilo que Nelson Rodrigues chamou de ‘o complexo de Vira latas’ dos brasileiros
e insistem em propagar que tudo que está aqui fora é bom é maravilhoso, e
que o Brasil está uma merda – o que eles estão redondamente enganados.
A pobreza e desigualdade social vêm aumentando
a cada dia aqui nos EUA, não obstante, o número de desempregados bate
recordes, milhões de jovens americanos estão deixando seus sonhos de lados de
ascender socialmente porque não podem pagar para ter acesso à educação
superior, várias pessoas estão morrendo todo dia porque não podem pagar por um
plano de saúde, ou estão vendo suas casas serem tomadas pelos bancos porque após serem atendidos no hospital precisaram pagar a conta e não tinham como.
Não podemos negar as debilidades enraizadas em nosso país, mas
também não podemos abaixar as nossas cabeças, visto que nós estamos lutando a
cada dia para fortalecer e desenvolver nosso país, transformando-o em um país
para todos. Já fizemos muito para mitigar os efeitos de 500 anos de ‘colonização’,
mas ainda falta muito mais por lutar e conquistar.
Tenho orgulho de dizer que sou do Brasil, o
Brasil com S, um Brasil miscigenado, um Brasil que é a sétima economia do
mundo, o carro chefe da América Latina em termos econômicos. O Brasil da maior
biodiversidade do mundo, o Brasil da riqueza de nossos povos, o Brasil que tem
o melhor futebol... Mas tenho muito mais orgulho de dizer que sou do Brasil que
tem uma mulher na presidência e que teve um presidente operário, o Brasil que
não é mais colônia de nenhum outro país. Um país soberano, independente e que
tem se destacado e tem conquistado o respeito da comunidade internacional em diversos
aspectos, principalmente na redução das desigualdades sociais. O Brasil que tirou
mais de 27 milhões de brasileiros da extrema pobreza, aquele Brasil que reduziu
a mortalidade infantil, que possui uma das menores taxas de desemprego do mundo,
que colocou milhões de jovens dentro das universidades através da democratização
do ensino superior, o Brasil do SUS, que atende a todos universalmente, mesmo
que tenha problemas de logística e gestão à serem solucionados. O Brasil que sabe que tem muitos problemas, mas mesmo assim tem muita garra para enfretá-los e superá-los.
Terei sempre orgulho de hastear a bandeira verde-amarela
em qualquer canto do mundo. Sou brasileiro e voltarei ao meu país com sorriso
no rosto de saudade e com mais garra de poder lutar para construir um Brasil
mais justo e democrático, porque se temos problemas, eles precisam ser
resolvidos e não utilizados como desculpas para inferiorizar o país.




