O sistema
financeiro sempre tenta colocar o ônus de suas crises nas costas dos
trabalhadores, assim aconteceu em diversos países, como no Brasil, e está
acontecendo na França e nos EUA. Com a justificativa de que os direitos
sociais, como os direitos trabalhistas, são os entraves para o crescimento
econômico das nações, o sistema coloca seus tentáculos em todas as vias para
suprimir os direitos já conquistado pelos trabalhadores à custa de muita luta e
sangue.
Um dos direitos conquistados nos EUA, a redução
da jornada de trabalho diária, foi uma consequência da greve de operários em
1886. Em maio daquele ano, operários em Chicago foram protagonistas de uma
grande greve, que tinha como uma de suas reivindicações a redução da jornada de
trabalho – estes operários trabalhavam em torno de 14 à 17 horas por dia na
fábrica. No dia 1 de Maio, foi a última manifestação deles que não teve
repressão policial. Depois dessa data, centenas foram presos e condenados à
prisão perpetua, com oito lideranças do movimento sendo condenados à morte na
forca.
O primeiro de Maio, une os trabalhadores pelo
mundo contra as forças exploratórias da oligarquia financeira, dos monopólios e
das forças políticas conservadoras em busca de melhores condições trabalhistas.
Mas enquanto em diversos países o primeiro de maio é feriado nacional, e os trabalhadores
unem-se e saem às ruas contra a exploração do trabalho ou até mesmo ficam em
casa descansando com a família, os trabalhadores americanos terão que ir ao seu
posto de trabalho para completar a sua jornada de trabalho, que em sua maioria
são jornadas exploratórias.
A exploração dos trabalhadores na “democracia
americana”, que muitas vezes é vista como modelo na relação
empregado-empregador, é uma consequência direta do liberalismo do sistema
econômico e político dos EUA. Esse sistema preza que o cidadão é livre para
construir seu futuro através de sua força, mas para isso o Estado tem que se
abster e não pode interferir no mercado e em outros setores, principalmente nas
relações trabalhistas. Essa abstenção do
Estado, só não é verdadeira quando refere-se ao Estado a competência de
flexibilizar e extinguir os poucos direitos que os trabalhadores americanos
possuem.
A abstenção do Estado somado a mão poderosa da
burguesia e dos burocratas permitiram que os EUA se tornasse um país onde os
trabalhadores não possuem proteção contra as arbitrariedades que as empresas
cometem. Os trabalhadores além de receberem baixos salários e trabalhando
intensas jornadas de trabalhos, não têm direitos à indenizações por quaisquer
circunstância nas demissões. Além disso,
os trabalhadores americanos não têm direito à descanso semanal, férias
remuneradas, adicional noturno ou auxílio-doença. No caso dos empregadores que
fornecem plano de saúde à seus empregados, o benefício compreende apenas o
trabalhador, excluindo-se a família.
Os EUA é um dos cincos países do mundo que não
dão licença-maternidade, tampouco provêm licença-paternidade ou direitos da mulher
amamentar durante o seu período de lactação, o qual reduz significativamente a
desnutrição infantil. De todos os trabalhadores que perdem seu emprego, apenas
1/3 dos trabalhadores conseguem ter acesso ao seguro desemprego, o qual paga 50%
do salário que ele recebia. Para se ter acesso à esse benefício, o desempregado
tem que provar muitas coisas, uma delas é a de que está procurando
incansavelmente um novo emprego e tem por obrigatoriedade aceitar qualquer
outra oferta de trabalho, mesmo que este seja com graves afrontas aos direitos
humanos. E mesmo que a América autoproclame-se como defensores dos direitos
humanos, os EUA permitem que empresas, como McDonalds, Wal-Mart, Gap e Amazon
possam ferir os direitos humanos em busca de baratear seus produtos e vender
mais. E nessa busca pelo lucro as
empresas dão preferência aos contratos de trabalho com menos de 28 horas
semanais (meio período), para que elas sejam isentas de prover algum benefício
ao trabalhador.
Democracia não é apenas o direito ao voto
universal, mas também é a garantia de direitos sociais e humanos para tod@s. A
carência de direitos sociais na “democracia” dos EUA além de demonstrar a superficialidade
de uma suposta democracia regida pelo liberalismo político e econômico,
demonstra também a real necessidade da união das forças dos trabalhadores para
mudar o sistema em busca de construir uma sociedade mais igualitária e justa para todos.



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