RSS Feed

about

"As revoluções são a locomotiva da história". Karl Marx

O legado intangível dos megaeventos esportivos


Por: Hugo Valadares - 29/05/2014 no portal http://ujs.org.br/copa/noticia/60/o-legado-intangivel-dos-megaeventos-esportivos.html

Todo dia é comum ouvir ou ler que investir bilhões em Olimpíadas e Copa do Mundo é jogar dinheiro fora, pois esses recursos deveriam ir para educação e saúde. Que colocar bilhões em eventos enquanto áreas importantes patinam chega ser absurdo. Entretanto, para além do legado estrutural, tão discutido nos últimos tempos, há diversas questões e legados intangíveis e não mensuráveis que uma análise superficial e rasa, como tantas pessoas tem insistido em fazer, impede de observar.

Para aprofundarmos o debate sobre a vinda dos grandes eventos, analisemos algumas situações. Antes do atual período, o Brasil jamais seria cogitado para sediar acontecimentos desse porte, e isso tem impacto direto na forma como o país é visto no cenário internacional. Na ONU, antes o Brasil sequer era ouvido, não podia dar nenhuma cartada na governança global. Hoje luta por um assento permanente no conselho de segurança, que no fundo é o órgão que decide os rumos dos conflitos no mundo.

Esta mudança na imagem se refletiu em eleições de instituições internacionais muito importantes: em 2011, o brasileiro José Graziano foi eleito diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), sendo o primeiro latino-americano a alcançar tal cargo. Recentemente, o diplomata Roberto Azevedo foi escolhido para ser diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). A implicância direta disso é que em disputas relevantes, o Brasil pode atuar como importante mediador. Além de que, em discussões nas quais estejamos presentes, ter voz ativa e ser respeitado como liderança regional e mundial faz toda diferença.

Pode-se exemplificar este fato com o caso, tempos atrás, de um imenso embate entre a Bombardier e a Embraer sobre uma questão relativa aos incentivos financeiros do governo Canadense (país sede da empresa) que fez a brasileira perder uma concorrência. No final, a Embraer ganhou a disputa na OMC. Outro debate em curso é relativo aos subsídios aos produtos agrícolas nos Estados Unidos e na França. Isso faz com que os produtos desses países sejam mais baratos e tomem mercado no mundo. Se o Brasil ganhar esse embate, o impacto direto será a geração de mais empregos, mais gente no campo, mais safra e mais dinheiro na nossa economia.
Para além destes casos, uma boa imagem internacional pode atrair mais investidores que venham abrir empresas no Brasil, gerar empregos e divisas e, novamente, empregar mais gente e fazer o país crescer. Amigos brasileiros residentes do Velho Continente foram testemunhas de que em cursos de formação de empresários, a orientação é para que se invista aqui, pois o retorno é garantido e as instituições são confiáveis. Não é por acaso que recentemente, na Europa, o Brasil saiu em todos os jornais importantes por ter se tornado a 6ª. maior economia do mundo.
Se trazer a Copa e a Olimpíada fosse apenas uma questão de aplicar recursos, nenhum país iria querer sediar tais eventos. Seguindo essa linha, então deveríamos acabar com investimentos em esporte, porque não precisamos de medalhas olímpicas se tem gente passando necessidade. Por essa lógica, também não deveríamos investir em cultura, pois isso não deveria ser mais importante que um leito no hospital. Também não poderíamos construir praças, parques, ciclovias, porque a prioridade, segundo esta rasa discussão, tem que ser educação e saúde!

O Brasil tem que dar conta de todos os desafios e isso acontece de maneira simultânea. Antes vivíamos num país que os estrangeiros não sabiam muito bem o que havia além de futebol, mulher bonita e carnaval. Simplesmente não era levado a sério. Agora somos respeitados, a economia anda, temos a taxa de desemprego dos sonhos de países desenvolvidos e temos moral por trazer os maiores eventos do mundo. Não devemos acreditar na imprensa que só quer ver o circo pegar fogo porque o governo federal não é dirigido por seus aliados. Sempre fomos uma grande nação e de grandes pessoas. Mas agora, o mundo sabe disso.

Por Hugo Valadares - Doutor em Engenharia Elétrica pela UNICAMP, ex-presidente da ANPG e membro da Direção Nacional da UJS

Democracia representativa e participativa

http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/03/democracia-participativa.jpg
Democracia. Povo. Participação. Representação. 

Sabe aquelas conferências estaduais e nacionais, como as de Meio Ambiente, Saúde, Educação, Juventude, Segurança Pública...? Elas são instrumentos da participação e controle social, e  são ferramentas que aprofundam ainda mais a democracia brasileira. As conferências são verdadeiros palcos democráticos, onde o governo pode dialogar com a sociedade civil organizada, movimentos sociais, organizações. Um lugar onde a sociedade pode ser agente de um projeto político que vise suprir as necessidades locais, regionais ou nacionais.

A participação social, no Brasil é um dos direitos doutrinárias da Constituição brasileira e foi uma conquista de muitas lutas sociais. E graças a este direito, o Sistema Único de Saúde- SUS, por exemplo, tem em seus fundamentos, a participação e controle social, regido pelas leis orgânicas de saúde 8.080/90 e 8.142/90.

Ampliar a participação social nas tomadas de decisões permite o fortalecimento da soberania do povo, e, por sua vez, o da democracia. E mesmosabendo disso, afim de manter o poder sob seu controle, existem setores da sociedade brasileira, elite e os conservadores, que querem colocar a democracia restrita ao campo do poder do voto, restringindo, assim, a participação social.

E é, neste sentido, que os setores supracitados estão inquietos e bombardeando informações errôneas sobre o decreto nº 8243, do último dia 26 de Maio, da presidenta Dilma Rousseff. O decreto institui a Política Nacional de Participação Social – PNSPS e o Sistema Nacional de Participação Social – SNPS. Ou seja, ele amplia ainda mais a democracia brasileira, promovendo e consolidando a participação social e o controle social. Ele permite que o povo possa efetivar sua participação nas tomadas de decisão, abrindo fortalecendo o canal de diálogo entre a administração pública e a sociedade civil. E essa participação permite uma maior apoderação da soberania pelo povo, impressa na Carta Magna brasileira. Soberania não é, apenas, poder eleger o seu representante a cada 4 anos, mas poder participar da formulação, fiscalização, execução e da manutenção das políticas públicas.

E só neste sentido, a democracia brasileira vai poder amadurecer e aprofundar-se, permitindo o protagonismo do povo, em um cenário em que o sistema político, ainda, favorece a elite e não deixa a diversidade da sociedade ser representada nos espaços de poder.

-

Curiosidade: As conferências no Brasil, datam desde 1940, mas foram durante os governos Lula e Dilma que elas tiveram impulso. Só para ter noção, das 114 Conferências Nacionais que o Brasil realizou até 2010, 72 foram realizadas no governo do presidente Lula.

Aqui tem o decreto, em sua integralidade. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Decreto/D8243.htm